Objetos por si não apresentam valor ou funcionalidade. Somos nós que os adornamos com sentidos, significados e memórias que nos ajudam a entender o que somos, a que grupos pertencemos e o que nos conecta ao mundo. Ou seja, a importância de um objeto não esta na posse, mas na relação que se estabelece com ele e na forma como ele se integra e transforma a nossa vida

Quais traços de nós esquecemos em cantos de gaveta? Quais memórias tiramos ou deixamos ao alcance dos olhos? O que tudo isso que nos rodeia susurra aos ouvidos diariamente? Conseguimos nos encontrar naquilo que temos?

PERTENCE, neste contexto, nos convida a lançar um olhar sobre nós a partir daquilo que escolhemos ter. Este exercício auto-reflexivo nos ajuda a responder o que de fato é essencial e significativo.

Aos poucos hábitos, gostos, interesses, desejos e memórias vão sendo revisitados e resgatados. Saem de armários, gavetas, caixas e prateleiras para dar forma àquilo que gostamos, sentimos e pensamos. Não estamos falando de segredos ou intimidades, estamos falando do óbvio de nossos gostos e rotinas, daquilo que compõe nosso dia-a-dia e é evidência clara de nossa forma de perceber o mundo.

Quanto mais descobrimos sobre nossa casa e nossos pertences, mais entendemos de nós e do mundo que nos rodeia. É esta conexão entre o interno e o externo que o projeto busca capturar.

A fotografia, assim, não surge do reflexo, mas da reflexão. Ela é resultado do estranhamento que se experimenta ao se colocar como observador da própria história impressa naquilo que escolhemos manter ao alcance das mãos. O que conseguimos dizer sobre nós olhando para nossas coisas? Este é o convite feito nesta experiência.

 


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