Quando eu olho para os objetos o que mais me pega é essa distância entre estes três grupos aqui, essa diferença entre o que eu sou, o que eu fui e o que estou projetando pro meu futuro, representado pelos livros. É muito engraçado ver os objetos agrupados assim. São bem diferentes os objetos do passado, mais ligados a minha familia e minha vida em Bonifácio, e objetos de identidade que tem um caráter bem urbano e muito longe dessa outra parte da minha vida que vivi até os meus 19 anos, antes de vir pra São Paulo.
— Carolina


Essa cabeça mostra um pouco de mim porque todo mundo na minha cidade me achava meio diferente, meio esquisita e a mesma coisa acontece com a cabeça. Todo mundo que entra em casa implica com a cabeça. Antes eu até colocava um chapel nela, um colar, óculos, mas há pouco tempo comecei deixar ela assim, sem nada. Talvez isso represente um pouco da fase que estou vivendo, mais direta, sem disfarces, mais eu, mais minha cara, assumido quem sou.
— Carolina
As pulseiras e guias estão relacionadas a um lado mais espiritual que comecei a viver esse ano e que faz parte dessa nova pessoa que estou descobrindo. Sempre fui super cética, de família católica, que desconfiava de todas essas coisas, mas a convite de um amigo eu fui num centro e foi uma experiência muito forte. Dai eu comecei a estudar e ler vários livros sobre umbanda, religião, espiritismo e isso me mudou muito. Para quem nunca acreditou em nada, de repente eu descubro o quanto isso me ajuda a entender quem eu sou, qual o sentido da minha vida. Isso faz parte de um processo de mudança muito intenso que estou vivendo esse ano. E eu sempre carrego elas comigo, dependendo da força que eu quero ter comigo em cada dia.
— Carolina
Passado para mim representa muito a minha vida em Bonifácio, esse outro lado de mim que marcou minha vida até vir pra São Paulo. Você vê que eles são bem diferentes em relação aos objetos relacionados a identidade, até em quantidade. Não sou muito apegado ao passado. Acho que o mais marcante aqui é a caixa que minha mãe fez para mim quando vim para cá para eu organizar minhas coisas. Mostra um pouco esse cuidado de mãe, sabe?
— Carolina
Esse bonequinho me remete muito a infância, sítio, como se a criança que tivesse tido esse brinquedo tivesse sido muito feliz. Eu comprei ele na Rua 25 de março. Olhei para ele e achei lindo e na época queria começar uma coleção e decidi colecionar brinquedos de corda, só que minha coleção parou em quatro itens, o que mostra que não sou muito de colecionar coisas. Ele me traz uma sensação gostosa de uma infância que eu não vivi, mas que parece tão presente nele.
— Carolina

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