Quando olho isto aqui, vejo alguns objetos que revelam de onde eu vim, a minha base, ligados a pais, avós e amigos. Todo o resto é pura sensibilidade e criatividade, duas coisas que sempre me moveram. Nunca fui uma grande leitora de poesias mas sempre vi no verso uma forma de me expressar. Nunca frequentei uma escola de artes, mas sempre vi prazer em desenhar. Talvez só o piano esteja ligado a aulas formais, mas ainda assim, comecei a compor sozinha. Mesmo com tudo isso, sempre ouvi que precisava ter foco, que tinha que parar de sonhar e que não podia ser artista, porque artista era tudo viado, puta ou drogado. Demorei mais de vinte anos e tive que passar por uma doença que quase me matou para conseguir assumir que sou escritora, que sou artista e que posso sonhar.
— Ana Claudia
Esta poesia eu escrevi para minha filha muito antes de saber que ela um dia nasceria. Não tinha nem me casado na epóca e, relendo agora, me emociono porque não poderia descrever melhor a filha que eu tenho.

’Se um dia uma filha tiver,
quero que seja sensata
que saiba sentir na hora exata
e saiba ser mulher.
Se um dia uma filha eu tiver,
quero não reprimi-la
e ensina-la a amar
sem ter medo da vida
Se um dia uma filha eu tiver,
quero lhe dar muito amor
para que ela própria se ame
e saiba a quem se entregar
Se um dia uma filha eu tiver
gostaria que fosse delicada nas ações
e decidida nas intenções
Preparada para ser mulher.’
— Ana Claudia
Esta caixinha de música ganhei da minha avó. Ela sempre me dava caixinhas de música. A primeira eu ganhei quando fiz a primeira comunhão, aos 9 anos. Depois ganhei esta, aos 18. Ela gostava muito destas caixinhas e acha que era importante que eu tivesse uma. Guardo até hoje porque são estas coisas que marcam sua vida, mantêm os laços. É uma lembrança gostosa.
— Ana Claudia
Embora nunca tenha recebido muitos incentivos, a arte sempre esteve presente em meu caminho. Está é a fita de um show independente que ajudei a organizar no meu primeiro ano na faculdade. Desenhei a capa para retratar alguns aspectos importantes do show. Fui colocando tudo que mais me marcou no desenho e atras escrevi toda a histórinha: quem organizou, quem participou, todo o processo. Foi a forma que encontrei para não esquecer de nada. O show foi apresentado no teatro municipal de São Carlos. Esta fita hoje representa meu primeiro passo em direção a arte. Para quem nunca tinha feito nada, nunca tinha recebido nenhum incentivo em casa, de repente se ver organizando um evento cultural como estes, no teatro municipal da cidade... Foi algo inesquecível.
— Ana Claudia
Eu sonhei com o título deste livro quando ainda estava na escola. Lembro que dei uma cochilada na carteira e de repente me veio a imagem de um senhor negro que se virava para mim e dizia: ‘Aqui está seu livro: O Poente, o poético e o perdido!’ Isso me marcou tanto que nunca tive dúvida que um dia escreveria um livro e que ele teria este título. Esta vontade foi tão forte que, quase uma eternidade depois, consegui publicar este livro sem gastar um tostão. Fiz tudo na base da troca, o que me mostra que de fato isso tinha que vir ao mundo, tinha que sair.
— Ana Claudia
Estas conchas e madrepérolas representam momentos especiais na minha vida. Sempre gostei muito de ficar sozinha, então quando ia para a praia, esperava a hora da chuva para andar na areia e era quando eu ficava catando estas conchas. Elas representam estes meus momentos de encontro comigo mesma.
— Ana Claudia

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