Agora consigo enxergar que eu sou uma pessoa que realmente se importa com o social, com laços. Vou até comentar isso com meu terapeuta. Tenho poucos laços afetivos, mas os que eu tenho são muito importantes. O problema é que grande parte deles não fazem mais parte da minha vida. Todos os objetos aqui são de memória. Talvez minha vontade de cozinhar esteja relacionada a vontade de construir novos laços, novas relações ao convidar pessoas para degustar e compartilhar uma refeição, um momento. Fora isso também percebo como eu sou parecida com minha avó nesta questão de guardar papel, ter um monte de livros de receita e querer sempre agregar pessoas. Tudo isso é uma coisa muito presente em mim. Eu preciso muito voltar a cozinhar e reunir a galera, percebi que isso é muito importante para mim.
— Katia
Esse regador foi meu avô quem fez a partir de uma lata de tinta. Tem até a assinatura dele no fundo. Olha o capricho. Ele que fez cada furinho, soldou cada cantinho. Depois que ele morreu isso se tornou uma espécie de amuleto para mim, vai comigo pra qualquer lugar. Acho que nem quando eu tiver um jardim, eu vou ter coragem de usar. É isso, virou um amuleto.
— Katia
Essa corujinha é um cofrinho de papel machê que comprei no Parque das Corujas no Japão quando eu morava lá. É um lugar lindo, com várias espécies e eu acabei me identificando muito com as corujas porque elas são quietinhas, super observadoras e eu sou um pouco assim. Eu simplesmente amei ter ido lá, foi uma coisa que me marcou muito e essa corujinha virou meu xodó. Esse é um objeto que sempre vai estar na minha estante, sempre vai ficar exposta num lugar de destaque na minha casa.
— Katia
Isso aqui é só uma parte do monte de cadernos que eu tenho. Eu sempre fui viciada em papel. Minha mãe dizia que eu deveria ser dona de papelaria porque quando era criança todo dinheiro que ganhava eu gastava na papelaria comprando papel. E estão todos em branco porque eu não tenho o hábito de anotar coisas. Sei que é meio incoerente, mas é um traço da minha personalidade. Tenho cadernos que têm mais de 10 anos. Acho que isso é algo de família porque quando minha avó morreu nós fomos arrumar as coisas delas e tudo que é canto que a gente mexia a gente achava uma caneta e um bloco de papel. Pelo menos nos dela tinha alguma coisa anotada, nos meus não. Eu não entendo porque eu guardo e porque eu não uso.
— Katia
Muitos dos meus sonhos estão guardados e são relacionados à cozinha. Eu quero muito voltar a cozinhar, mas agora não tenho tanto espaço e tempo. Eu tenho muitos livros de receita, pastas com receita da minha avó, da minha tia e coisas que vou pegando em revistas ou na internet. Sonho em poder voltar a cozinhar. É uma coisa que me faz feliz e tem muito a ver com reunir as pessoas. A cozinha, a comida, é uma forma de unir, compartilhar, celebrar, então meu sonho, na verdade, é começar a reunir as pessoas através da cozinha.
— Katia
Essa camiseta a gente fez no Playcenter. Esses são meu pai, minha irmã e eu . Foi bem na época que meus pais estavam se divorciando, então essa camiseta é meio que a última lembrança que eu tenho do meu pai como meu pai mesmo, porque depois que ele se divorciou ele esqueceu que tinha familia.
— Katia

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