Eu vejo três grupos de objetos: uma parte representa as pessoas da minha vida, memórias, coisas que eu não posso esquecer, minha essência; outra parte tem mais a ver com meu processo interno de auto-descoberta, um Eu interno, mais profundo e solitário; e a terceira é mais infantil, ligada ao meu lado criança, brincalhão, que não quero esquecer, mas que também não mostro tanto. Tudo aqui eu poderia colocar em uma mala e ir embora, algo que já fiz algumas vezes. Sou muito assim, tanto que, se você olhar, não tem nenhum quadro pendurado nas paredes. É como se estivesse sempre pronta para ir.
— Luciana
 
Existem muitos objetos que representam amor na minha casa. As pessoas acabam me dando objetos relacionados a isso, talvez porque sintam falta de me ver com alguém. Escolhi este pergaminho que comprei no Butão porque é símbolo do amor infinito, um conceito muito importante para mim. Retrata o amor universal e não por algo ou alguém. Se você prestar atenção, o símbolo não tem fim nem começo, não tem divisão, é pleno, sólido. Já até pensei em tatuar ele de tão forte que é.
— Luciana
Tenho esta plantinha desde que me mudei pra cá e ela já morreu e renasceu umas três vezes. Ela é pequenininha, parece super frágil, mas é muito forte, muito guerreira. Morrer três vezes e voltar cada vez mais bonita é uma coisa que não entendo. Ela teve que se provar para mim, porque esquecia dela, deixava de regar e, mesmo assim, ela crescia, renascia. Gosto muito dela. Esta plantinha é meu ‘bom dia’ de todas as manhãs.
— Luciana
Este relicário é muito vagabundo, paguei super barato. Comprei nessas barraquinhas de rua e resolvi colocar uma foto minha com meu avô e isto acabou se tornando algo especial. Meu avô era o melhor homem do mundo, era uma pessoa incrível. Ele não era muito presente na minha vida porque morava no Paraná, mas sempre gostei muito dele. Adoro esta foto. Quando tiver filhos, vou dar isto para eles.
— Luciana
Estas duas coisas são meus companheiros. Eu tomo chá e uma taça de vinho todos os dias, geralmente num momento em que paro para pensar em tudo que aconteceu durante o dia e começo a me preparar para dormir. Eles fazem parte desse ritual diário que me representa muito.
— Luciana
Sempre fugi muito da cultura japonesa. Nunca consegui lidar muito com isso e acabei abandonando esse meu lado. Fui resgatar ele quando comecei a ler Murakami, quem me trouxe uma outra visão sobre o que é ser japonês. Este leque é símbolo deste resgate. Não é nada de mais, comprei numa lojinha na liberdade, mas nunca consegui jogar fora. Me traz um pouco dessa cultura que eu tanto reneguei e que agora estou tentando reencontrar.
— Luciana

Comment