Quando sai da casa dos meus pais, acabei deixando muita coisa lá. Foi como se tivesse que passar uma peneira em tudo que tinha para trazer de fato aquilo que era importante para mim. Engraçado que me acho uma pessoa super racional nas minhas escolhas, mas olhando agora, vejo que grande parte do que trouxe e do que preciso comigo tem uma motivação emocional. Tanto que, se me pedissem para tirar alguma coisa do conjunto agora, teria uma super dificuldade, seria um processo bem doloroso, como se tivesse que cortar uma parte de mim. Aqui tem um pouco dos meus medos, daquilo que eu amo e também daquilo que perdi ao longo da vida. Cada objeto serve para me fazer lembrar de alguma coisa e me ajuda a contar a minha história.
— Samantha
Este mosaico de fotos representa momentos que gosto de revisitar. Meus bichos, minha familia, meus amigos, viagens... Cada fotinho aqui me remete a coisas bacanas e ajudam a contar quem sou, as histórias que vivi. É importante deixar isso perto, à vista. Olhar para todas as fotos que tinha e escolher quais entrariam neste mosaico foi um processo intenso, um exercício de reencontro muito bacana. Originalmente tinha pensado em coloca-lo no quarto para acordar todos os dias e olhar para ele, mas representa coisas tão importantes para mim que achei importante que todo mundo que viesse na minha casa pudesse ver isso. Acabei deixando na sala como uma referência de quem sou e do que me constitui.
— Samantha
Sabe aquele exercício de imaginar sua casa pegando fogo e você só tendo tempo para pegar uma única coisa? Nesta mala guardo tudo que acho importante levar comigo. Se pegar esta mala e sair, posso ir para qualquer lugar. Acho que isso está um pouco relacionado à história dos meus avós que durante a guerra tiveram que sair de casa só com a roupa do corpo. Sempre foi uma coisa tão assustadora para mim que desde criança tenho umas coisinhas organizadas para pegar caso tenha que sair correndo. Hoje a mala acaba simbolizando que, se precisar, estou sempre pronta para recomeçar.
— Samantha
Tenho várias representações de São Jorge na minha casa. Este aqui fica em cima da porta, como se todos os dias ele acompanhasse minha entrada e saida de casa. De alguma maneira ele materializa um dos pontos centrais da minha vida que é a fé, algo que está sempre presente na minha forma de olhar para as coisas. São Jorge é uma boa representação disso porque é um símbolo de força, de juventude. Acho que ele é o santo mais próximo do dia-a-dia da gente. Ele é um santo menos deus, menos sacro, menos distante do terreno. Por isso ele aparece em diferentes formatos na minha casa e sempre ocupa um lugar de destaque.
— Samantha
Não sou de colecionar coisas, mas esta coleção de relógios tem um valor muito especial para mim. Meu avô tinha essa coisa de dar relógios em momentos marcantes da sua vida e carrego isso comigo. Gosto da ideia de relógio como uma coisa que marca momentos importantes, algo relacionado a memórias. É como se você pudesse de fato marcar um momento. Cada um aqui tem uma história, um significado, um tempo marcado.
— Samantha
Este São Jorge menino me traz uma coisa lúdica do universo infantil que conecto um pouco com minha vontade de ter filhos. Desde criança sempre tive a certeza de querer ser mãe, de criar uma criança, de cuidar, querer estar perto. Este São Jorge materializa um pouco desta vontade, deste processo de preparação para este momento maternal. Ao mesmo tempo, por ser um brinquedo, é uma forma de apresenta-lo de maneira mais suave e que faça sentido mesmo dentro do universo de uma criança.
— Samantha

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