Estes objetos mostram um pouco da minha relação com os lugares que já passei. Os cheiros, o idioma, os novos hábitos que vão entrando no dia-a-dia, tudo isso são elementos que me conectam a estes lugares. Em cada nova cidade surgem novos olhares, pessoas e experiências que servem como uma pimenta, um tempero para minha vida. Sou muito grata por tudo isso, mas ao mesmo tempo não sou muito de me apegar a nada porque sei que tudo passa, as coisas mudam e você precisa estar aberta para aceitar e abraçar isso.
— Samille
Esta é uma cartinha que uma amiga austriaca fez para mim quando morava em Salvador. Guardo comigo até hoje. Conheci ela via couchsurfing. Ela foi passar uns dias na minha casa e acabou ficando um bom tempo. Desenvolvemos uma conexão super forte e acho que esta cartinha diz muito sobre mim porque gosto de cuidar das pessoas, estar aberta, disponível para elas.
— Samille
Gosto muito de cheiros. Sempre que chego nos lugares o cheiro é a primeira coisa que me chama a atenção. Inclusive, decidi morar em Curitiba por conta do cheiro. A primeira vez que fui para lá, cheguei às seis horas da manhã na rodoviária e, assim que desci do ônibus e senti aquele cheirinho de terra molhada, decidi que queria morar ali. Dois meses depois estava me mudando de Salvador para Curitiba. Tudo por causa dessa minha relação com cheiros. Sou movida por isso. Este perfume descobri por acaso. Estava na loja tentando escolher um e de repente alguém borrifou este do meu lado e na hora pensei: é este. Desde então só uso ele. Já tive uns cinco iguais.
— Samille
Gosto muito desta foto porque mostra minha mãe ainda jovem, super sorridente, leve. Hoje ela é uma pessoa mais séria, fechada, que vive me questionando sobre uma série de coisas. A gente têm uma relação super difícil hoje em dia. Ao mesmo tempo que a gente se ama, a gente briga pra caramba porque temos cabeças super diferentes. Esta foto está comigo desde que sai de casa. Gosto das roupas, gosto do fato dela estar sorrindo, gosto desta versão dela que parece que ela esqueceu um pouco.
— Samille
Ganhei este livro de uma amiga. Ela falou que leu e achou minha cara. Estava lendo ele em Salvador, no Porto da Barra, quando passou um cara por mim, ficou me olhando e veio puxar papo sitando um trecho do livro que por acaso tinha acabado de ler. Ele era um psicanalista argentino que adorava este livro e por conta disso a gente começou uma conversa. Tivemos uma história super bacana juntos e hoje ele é um dos meus grandes amigos. É incrível como as vezes um objeto tem o poder de atrair pessoas e criar situações.
— Samille
Estes objetos trazem um pouco da minha origem, da minha história, das minhas bases. Esta história de morar em muitos lugares, de estar disponível e aberta a isso, me faz perguntar quem sou de verdade, a que lugar pertenço. As cores, a mistura, o sincretismo, toda a missigenação presente aqui me faz lembrar de onde eu vim, do lugar em que nasci. Sempre que me sinto meio perdida, dou uma olhadinha para isso.
— Samille

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