Olhando para estes objetos, vejo que é bem forte esta vontade de olhar para mim. Sou viciada em processos de autoconhecimento. Muito destes objetos trazem isso. Sou uma pessoa grande, me sinto espaçosa não só fisicamente, mas com minha presença e isso não é algo tão simples de lidar. Ainda estou aprendendo a entender o tamanho de minha presença nos espaços. Acho que por isso tenho tantas partes de corpo espalhadas pela casa: a gordinha dançarina; meus dentes; o dedo; o coração; as tetas; o nariz de palhaço... Tenho uma questão com meu corpo e me conhecer melhor foi o caminho que encontrei para me libertar e assumir quem eu sou. Tanto é que meu corpo é o tema que mais exploro em meus trabalhos.
— Tathy
Este álbum estava guardado na casa da minha mãe há muitos anos. Meus pais são separados desde que tenho cinco anos de idade e fiquei muitos anos sem falar com meu pai. Só agora estou retomando minha relação com ele. Quando achei este albúm, resolvi trazer para cá. Deixo aqui na sala para que as pessoas possam ver. Olhando para as fotos, me acho muito parecida com eles.
— Tathy
Estava na Tailândia e de repente ví várias gordinhas dançarinas numa loja. Na hora super me identifiquei com elas, porque adoro dançar mas nunca tive um corpo de bailarina. Hoje me sinto super bem com meu corpo, mas sempre foi uma questão estar fora dos padrões. Quando vi essa gordinha super flexivel, achei o máximo.
— Tathy
Este livrinho é uma coisa da minha avó. É tipo um guia espiritual, um oráculo que a gente sempre lia juntas. Ele tem uma linguagem bem fácil, bem simples, mas eu gosto bastante. Você fecha os olhos, se concentra naquilo que está sentido, abre o livro e ele te traz uma mensagem para o dia, uma reflexão... Olha, saiu o anjo da compreensão!
— Tathy
Esse ferrinho de passar é uma das relíquias que estavam na casa da minha avó. Eles moravam num sobradinho super gostoso e me deram a edícula da casa para eu montar meu primeiro estúdio. Trabalhei muitos anos lá e este ferro foi um dos objetos que estavam nesta edicula que, na verdade, era um depósito. Para conseguir trabalhar lá, tive que fazer uma super limpeza que acabou sendo um processo bem profundo porque eles guardavam muitas coisas antigas lá. Meu avô guardava agendas de 1960, por exemplo. Este objeto acaba sendo uma lembrança muito querida desta casa onde passei a minha infância e que depois virou meu espaço de trabalho. Deixei muitos objetos que encontrei ali povoando o estudio. Muitos deles inclusive vieram para cá. Fiz questão de trazer comigo
— Tathy
Estes são os meus dentes, quer dizer, o molde deles. Usei aparelho durante muito tempo. Tive que arrancar dez dentes de leite com 13 anos para colocar o aparelho. Meus dentes simplesmente não caiam. Engraçado que tudo na minha vida é um pouco mais lento que o normal e esse processo de ter que arrancar os dentes, forçar um amadurecimento, foi muito significativo e me marca até hoje.
— Thaty

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